Cúpula do Teatro Amazonas_1885 - Aspecto da cúpula do teatro que mostra a estrutura metálica ainda em construção e sendo pré-montada para teste na fábrica da "Compagnie Centrale de Construction" na cidade de Haine-Saint-Pierre, Bélgica, antes de ser desmontada e enviada para Manaus. Há pouca informação e fotos sobre a gigante estrutura com construção iniciada a partir de 1885 e cuja logística montada para trazê-la até Manaus demandou e envolveu pessoas, navios, muitas carroças e decorreu mais de um ano. Destaques: Como é possível observar, a cúpula é uma peça inserida no projeto original com o objetivo de assinalar externamente a sala de espetáculos e não uma improvisação idealizada durante as obras, como argumentam alguns. O Teatro Amazonas é um projeto do Arquiteto português B. A. de Oliveira Braga membro do "Liceu de Engenharia de Lisboa" e teve as obras supervisionadas pelo Arquiteto italiano Celestial Sacardim. Fonte: Manaus Sorriso - Foto: Acervo da Compagnie Centrale de Construction, Haine-Saint-Pierre, Bélgica - Colorização digital eletrônica: Paulo Menezes
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
FOTO DA CÚPULA EM CONSTRUÇÃO
Cúpula do Teatro Amazonas_1885 - Aspecto da cúpula do teatro que mostra a estrutura metálica ainda em construção e sendo pré-montada para teste na fábrica da "Compagnie Centrale de Construction" na cidade de Haine-Saint-Pierre, Bélgica, antes de ser desmontada e enviada para Manaus. Há pouca informação e fotos sobre a gigante estrutura com construção iniciada a partir de 1885 e cuja logística montada para trazê-la até Manaus demandou e envolveu pessoas, navios, muitas carroças e decorreu mais de um ano. Destaques: Como é possível observar, a cúpula é uma peça inserida no projeto original com o objetivo de assinalar externamente a sala de espetáculos e não uma improvisação idealizada durante as obras, como argumentam alguns. O Teatro Amazonas é um projeto do Arquiteto português B. A. de Oliveira Braga membro do "Liceu de Engenharia de Lisboa" e teve as obras supervisionadas pelo Arquiteto italiano Celestial Sacardim. Fonte: Manaus Sorriso - Foto: Acervo da Compagnie Centrale de Construction, Haine-Saint-Pierre, Bélgica - Colorização digital eletrônica: Paulo Menezes
domingo, 9 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
domingo, 26 de dezembro de 2010
NATAL DE 1900

Noite escura.
Francisco Ferreira de Lima Silva naquela escura noite vinha subindo a escadaria do imponente palacete onde morava Waldemar Scholz e que muitos anos depois foi transformado no “Palácio Rio Negro”, sede do Estado do Amazonas, no governo de Alcântara Bacellar.
Lima Silva envergava terno de linho bege, chapéu de palhinha, gravata borboleta de seda azul-claro, sapatos de verniz, pretos. Elegante.
Vinha pensando, distraído, imaginando no que o velho Waldemar Scholz lhe tinha reservado, pois o riquíssimo Scholz era generoso, e na noite de Natal dava presentes caros. Trazia para o dono da casa um livro de contos, “Diferentes”, de 1895, de Quintino Cunha, que ainda morava em Manaus e depois publicaria, em Paris, o seu famoso livro de versos “Pelo Solimões”, em 1907, pela Livraria J. Aillaud. Quintino Cunha em Paris era amigo de Aillaud e de Faguet, da Academia Francesa
Para o Natal só, Scholz convidara para a ceia um grupo seleto: Lima Silva, novamente separado da mulher; o maestro Adelelmo do Nascimento, mulato, cultíssimo, violinista, voltava de Paris; Antonio Bittencourt, pai do professor Agnello Bittencourt, que tinha chegado do Ayapuá, no Purus, onde tinha uma mansão, e poucos outros.
Lima Silva era jornalista e fez carreira política em Manaus. Escreveu “Efemérides do Amazonas”, em 1884, gigantesca obra que permanece inédita e talvez se tenha perdido. Escreveu também um livro sobre os movimentos revolucionários. Foi deputado estadual, federal e participou do movimento de deposição de Gregório Thaumaturgo de Azevedo, Governador do Amazonas, quando Lima Silva saiu ferido. Homem de oposição, de luta, da esquerda da época. Thaumaturgo foi deposto, Guilherme Moreira assumiu, pois era o vice, e em poucos dias entregou o governo para Eduardo Ribeiro, o segundo vice.
A paixão dominava Lima Silva. Apesar de casado, pai de duas filhas, o amor por Marinalva o enlouquecia, cabocla pequena, leviana, sensual. Silva não sabia o que fazer. Marinalva o traía “até com os trapixeiros!”, pensava Silva, com ódio.
Ao chegar à porta do palacete Scholz parou e esperou que lhe abrissem. Um empregado, caboclo forte, meio índio, veio abrir:
- Pode entrar, disse o homem.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
ELEAZAR DE CARVALHO, nosso personagem

Eleazar de Carvalho nasceu em Iguatu, pequeno município do interior do Ceará, em 28 de julho de 1912. Iniciou os estudos de música ainda criança em sua cidade natal, onde atuou na banda musical. Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Marinha. Tocava tuba na Banda do Batalhão Naval. Pouco tempo depois foi estudar na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por esta época, começou a compor. Sua primeira ópera recebeu o título de A Descoberta do Brasil, cuja estréia aconteceu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. “A primeira fase de Eleazar como compositor foi fortemente marcada pela linguagem nacionalista, algo comum para a época. Mais tarde, ele mudaria completamente”, explica Hashimoto.
Eleazar de Carvalho foi músico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e estudou com o compositor Francisco Mignone. Sua obra como compositor, entretanto, é pequena, visto que logo se decidiu pela carreira de regente. Para dar impulso à sua trajetória, o maestro decidiu, por conta própria, mudar-se para os Estados Unidos. Seu objetivo, tido como “uma excentricidade” pelos mais próximos, era reger uma das três grandes orquestras norte-americanas da época: Boston, Filadélfia ou Nova York. Em 1946, ele finalmente embarcou, com a cara e a coragem, para a América. Lá, bateu literalmente de porta em porta oferecendo-se para atuar como regente. “O titular da Orquestra da Filadélfia achou a atitude de Eleazar ousada e absurda. Tanto que disse a ele para que fosse reger uma orquestra do interior e voltasse somente dali a 20 anos”, relata Hashimoto.
Determinado, o maestro brasileiro não deu ouvidos ao “conselho”. Ao tomar conhecimento sobre o festival de música erudita que ocorreria em Massachusetts, cujo formato inspirou o Festival de Inverno de Campos do Jordão, Eleazar de Carvalho abalou-se até lá. Seu intento era ser admitido como aluno do consagrado Sergey Koussevitzky, que daria um curso durante o evento. Como as inscrições já tivessem sido encerradas, o brasileiro decidiu lançar mão de uma estratégia heterodoxa, por assim dizer. Para ser recebido por Koussevitzky, mentiu que era portador de uma mensagem do presidente do Brasil para o famoso maestro. Assim que foi recebido, admitiu a farsa, mas pediu uma chance ao interlocutor.
O brasileiro teria dito: “Deixe-me reger por apenas cinco minutos. Se não me aprovar, irei embora”. Não apenas foi aprovado, como em pouco tempo tornou-se assistente de Koussevitzky, ao lado do também conhecido Leonard Bernstein. Um ano e meio após ter sido quase enxotado, Eleazar de Carvalho regeria a Orquestra da Filadélfia como convidado. “Depois disso, ele teve uma carreira cada vez mais ascendente. Não apenas regeu as três mais importantes orquestra norte-americanas, como havia almejado, como esteve à frente das maiores orquestras do mundo”, assinala o autor da tese de doutrado. Entre os ex-alunos de Eleazar de Carvalho estão nomes importantes como Claudio Abbado, Zubin Metah, Seiji Ozawa, Gustav Meier, David Wooldbridge, Harold Faberman e Charles Dutoit.
O maestro brasileiro permaneceu nos Estados Unidos até o começo da década de 70, embora viesse esporadicamente ao Brasil. Em 1972, ele voltou definitivamente ao seu país, onde daria continuidade à carreira, mas com um viés diferente. Aqui, ele reorganizou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), reformulou o Festival de Inverno de Campos do Jordão e criou programas para a concessão de bolsas de estudos para jovens instrumentistas brasileiros. “Eleazar sem dúvida infuenciou e continua influenciando muitos músicos no Brasil e no mundo”, atesta Hashimoto. O regente morreu em 12 de setembro de 1996, em São Paulo.
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