quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MARIO YPIRANGA MONTEIRO - 1976



MARIO YPIRANGA MONTEIRO - 1976
FONTEhttp://catadordepapeis.blogspot.com.br/2014/01/imprensa-oficial-do-amazonas-2.html


Mário Ypiranga Monteiro (Manaus, 23 de Janeiro de 1909Manaus, 8 de Julho de 2004) foi um advogado, escritor e professor amazonense conhecido por sua grande contribuição pelo estudo da História do Amazonas1 .

Filho de Francisco Monteiro e Maria de Sousa Monteiro, o segundo de uma prole de seis. Fez o curso primário no Grupo Escolar Cônego Azevedo, bairro de Nossa Senhora Aparecida dos Tocos. Frequentou quase todos os colégios e escolas públicas de Manaus, destacando-se aqui os principais: Colégio Rayol, Instituto Heliodoro Balbi, Instituto Universitário Amazonense, Colégio Salesiano (hoje Dom Bosco), grupos escolares Saldanha Marinho, Marechal Hermes, e escolas particulares do tipo Isabel a Redentora.

Em 1924 ingressou pela segunda vez no Ginásio Amazonense Pedro Segundo (a primeira vez foi em 1922 como aluno ouvinte), concluindo o curso em 1930. Foi no Ginásio que sua vocação para as letras despertou, ao redigir dois jornais manuscritos e datilografados (os quais se encontram no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) e ali fundou com outros colegas o grêmio estudantil Pedro Segundo, que editava o jornal O Estudante. Já nos dois últimos anos do Ginásio começou a colaborar em revistas forâneas, do tipo
Fon-Fon, O Malho, onde publicou contos regionais ilustrados.

Ao deixar o ginásio foi percorrer os rios Negro e Branco, durante dois anos, e mais tarde seria nomeado professor primário do Grupo Escolar Monsenhor Coutinho, de Borba. Regressando a Manaus trabalhou nos jornais Correio de Manaus, Voz do Operário (ambos fechados pela polícia), Doze de Agosto e a revista Vitória Régia, de sociedade com seu colega Francisco Benfica. Foi revisor e redator dos jornais A Nação, Jornal do Comércio, O Jornal, A Luta Social e Diário Oficial. Deixou este para ingressar como professor titular da cadeira de Geografia Geral, no Colégio Estadual, no qual se aposentou em 1964.

Em 1955, sendo instalado o
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), foi convidado pelo então diretor Olímpio da Fonseca, para preencher o quadro de pesquisadores de campo. Recebeu uma bolsa de estudos para pesquisas históricas em Portugal, principalmente no Instituto Histórico Ultramarino. O material pesquisado foi trazido em forma de microfilmes e entregue ao Instituto. Ainda como membro do INPA, na gestão de Djalma Batista, publicou as seguintes pesquisas de campo: Antropogeografia do Guaraná, O Sacado, Morfologia dinâmica fluvial e Folclore da Maconha.

Em concurso de títulos para a Faculdade de Filosofia, Ciências Sociais e Letras da Universidade do Amazonas, ganhou a cadeira de Literatura Amazonense, da qual se aposentou alguns anos depois. Dono de uma vasta obra, a maioria localizada na imprensa diária, alguns chegam a dizer que Mário possuía mais de duzentas obras, sendo 16 ainda inéditas.

Participou de muitas entidades como a
Ordem dos Advogados do Brasil, Academia Amazonense de Letras, Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e a National Geographic. Seu trabalho de pesquisas Alimentos Preparados à Base de Mandioca foi premiado pelo Instituto Brasileiro de Folclore e recebeu prêmios pelos livros Roteiro do Folcore Amazônico e Teatro Amazonas também2 . Foi casado por 65 anos com Ana dos Anjos, com quem teve quatro filhos.

Títulos


  • 1946 – In memoriam de Cid Lins (ensaio literário), Manaus.
  • 1946 - Aspectos evolutivos da Língua Nacional (ensaio crítico), Manaus.
  • 1947 – O Aguadeiro, primeira edição ilustrada, segunda edição ilustrada, Manaus, 1977.
  • 1950 – O espião do Rei (crônica histórico-novelesca), ilustrado, Manaus.
  • 1951 – Quarta Orbis Pars (A quarta parte do mundo) – Cristóvão Colombo, Manaus.
  • 1952 – O complexo gravidez-parto e suas consequências (folclore amazônico), Manaus.
  • 1955 – A capitania de São José do Rio Negro (tese de História Nacional), Manaus.
  • 1957 – Memória sobre a cerâmica popular do Manaquiri, ilustrado, INPA, Rio de Janeiro
  • 1957 - O regatão (notícia histórica, primeira parte), ilustrado, Manaus.
  • 1963 – Alimentos preparados à base da mandioca. Prêmio Sílvio Romero de 1962. Rio de Janeiro, ilustrado. (Revista Brasileira de Folclore, n. 5)
  • 1964 – O sacado (morfodinâmica fluvial), ilustrado, INPA, Rio de Janeiro.
  • 1964 - Roteiro do Folclore Amazônico, tomo 1, ilustrado, Manaus, 1964; tomo 2, ilustrado, Manaus, 1974.
  • 1965 – Antropogeografia do guaraná, ilustrado, INPA, Rio de Janeiro.
  • 1965 - Ceramografia amazônica, ilustrado, Boletim, n. 5, Revista de Antropologia do Ceará, Fortaleza.
  • 1965-1966 – Teatro Amazonas, 3 volumes, ilustrados, Manaus.
  • 1966 – Folclore da Maconha, ilustrado, INPA, Rio de Janeiro.
  • 1968 – A Catedral Metropolitana de Manaus, ilustrado, Manaus.
  • 1969 - Roteiro Histórico de Manaus (história das ruas de Manaus), caderno de A Crítica, Manaus.
  • 1972 – História do monumento da praça de São Sebastião, ilustrado, 1 edição.
  • 1976 – Fatos da Literatura Amazonense, Universidade do Amazonas, Manaus.
  • 1977 – História da Cultura Amazonense, 1 volume, ilustrado, Manaus.
  • 1977 - Fases da Literatura Amazonense, ilustrado, Universidade do Amazonas, Manaus.
  • 1979 – Danças folclóricas singulares do Amazonas, ilustrado, edição livrornal, Manaus.
  • 1981 – Síntese histórica da Polícia Militar de Manaus, 2 edição ilustrada, Manaus.
  • 1981 - Dona Ausente, poema ilustrado, Manaus.
  • 1981 - História do monumento à Província do Amazonas, ilustrado, Manaus.
  • 1982 – Elogio sentimental dos bichos amazônicos, Manaus.
  • 1982 - Carros e carroças de bois, edição ilustrada da UBEA, Manaus
  • 1983 – Cultos de santos e festas profano-religiosas, ilustrado, Manaus.
  • 1986 – Gotas de sangue, poemas, edição da AAL, Manaus.
  • 1986 - Notas sobre a Imprensa Oficial do Estado, ilustrado, Manaus.
  • 1986 - Elogio do lixo (artesanato popular), ilustrado, Manaus.
  • 1986 - A renúncia do Dr. Fileto Pires Ferreira, ilustrado, Manaus.
  • 1986 - Um livro nocivo, ilustrado, manaus.
  • 1988 – Cinopopéia ou a Vida airada de McGregor, ilustrado, Manaus.
  • 1989 – A Ceia dos Cozinheiros, comédia em verso, Manaus.
  • 1990 – Memória sobre o Aeroclube do Amazonas, ilustrado, Manaus.
  • 1990 - Negritude e Modernidade (Eduardo Gonçalves Ribeiro), ilustrado, Manaus.
  • 1995 – Fundação de Manaus, 4 edição, ilustrada, São Paulo.
  • 1996 – A expressão da verdade – dendolatria – Manaus, Jornal do Comércio.
  • 1996 - Cobra Grande, São Paulo, editora Hamburg.
  • 1996 - Mocidade viril. 1930, o motim ginasiano. Edição do autor, ilustrada.
  • 1997 – Dalila. Mimo, Universidade do Amazonas, Manaus.
  • 1997 - O Tigreiro, Universidade do Amazonas, Manaus.
  • 1997 - Teatro Amazonas (4 vol), edição SEBRAE, ilustrado, Manaus.
  • 1998 - História da Cultura Amazonense, vol 2, Universidade do Amazonas, Manaus.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

NA INAUGURAÇÃO

A multidão que assistia do lado de fora a entrada dos convidados à inauguração viu chegar Raul de Azevedo e sua esposa, Sara. O casal ficou a passear nos jardins do teatro antes de entrar, pois o escritotor aproveitou para fumar.
 A seguir apareceram Afonso de Carvalho, a esposa e alguns amigos. Era um grupo animado. Entraram logo.
 Logo veio Joaquim Cardoso Ramalho Junior, com o filho (a esposa adoentada não veio). Mas quando apareceu Erico de Aguiar Picanço todas as pessoas que assistiam a entrada exclamaram um “oh!” de surpresa e admiração, pois Esmeralda Picanço portava as suas famosas esmeraldas: era um colar e brincos de esmeraldas e diamantes famosos na alta sociedade manauara, realçados pelo belo pescoço e o vestido de seda preta de sua dona. O vestido não tinha nenhum bordado nem enfeite. As esmeraldas e brilhantes iluminaram a entrada.
 
 E assim foram chegando os convidados, que era elite do Norte do Brasil. Um dos últimos a chegar foi o Governado Fileto Pires Ferreira, com a esposa. E o último o ex-governador Eduardo Gonçalves Ribeiro, aplaudido pelo povo que estava na rua, desprezado pelos convidados de dentro. Eduardo Ribeiro, como sempre, veio com uniforme militar, acompanhado por dois soldados. Entrou rapidamente, atravessou o hall sem cumprimentar ninguém, subiu as escadarias com velocidade e sumiu no camarote. Os dois soldados não entraram, ficaram de guarda, na porta. 
 
 O Teatro ainda não estava ainda totalmente pronto. No “Salão Nobre”, em taças de cristal, servia-se o champanha La Grand Dame Veuve Clicquo. E se fazia política, conspirava-se. Conspirava-se contra o Governador Fileto Pires Ferreira, que já estava no camarote do Governo, conspirava-se contra Eduardo Ribeiro, que se escondera na penumbra.  Em sussurros, no pé do ouvido, algumas figuras diziam: “- Fileto vai viajar para Paris...”
 - Agora que Fileto e o negro estão rompidos é hora de agir, disse o outro.
 
 No início do espetáculo falou o Governador Fileto Pires Ferreira, do alto do seu camarote central. Grande orador, inflamado, de improviso, inaugurou o Teatro. Seu discurso foi recebido friamente pela elite que já conspirava contra ele. E embora tivesse de relações rompidas com o ex-governador, anunciou:
 
 - Temos a satisfação de ver entre nós o grande realizador da obra, o construtor deste imponente Teatro, o Governador Eduardo Ribeiro.
 
Neste momento irrompeu uma grande vaia, vinda de todos os lados.
(ROGEL SAMUEL. TEATRO AMAZONAS)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

MÚSICA PARA A COPA

 
 
EM HOMENAGEM À COPA DO MUNDO O PIANISTA CHRISTOPHER SCHINDLER DE PORTLAND POSTOU UM NOVO AUDIO CLIP DE VILLA-LOBOS GRATUITO, OUÇA EM:

http://www.christopherschindler.com/audio_clips

...



 In recognition of the World Cup going on currently in Brazil, my website has a new audio clip of the week.

http://www.christopherschindler.com/audio_clips

Enjoy listening to this musical interlude and have a nice day.

Christopher Schindler
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terça-feira, 10 de junho de 2014

ABERTURA DA COPA E A INAUGURAÇÃO DO TEATRO AMAZONAS

ABERTURA DA COPA E A INAUGURAÇÃO DO TEATRO AMAZONAS
 
ROGEL SAMUEL
 
 
Quando o Teatro Amazonas foi inaugurado em dezembro de 1896 ainda não estava pronto, o entorno estava cheia de obras, e as damas chics tinham de levantar as saias para salvá-las da lama.
E mais: a feroz oposição da época tratou de combater o brilho do evento, dizendo que aquela cúpula era ridícula, que nunca se tinha visto coisa igual no mundo inteiro, e que ia ser retirada; diziam que a construção tinha sido superfaturada, e que Eduardo Ribeiro tinha virado um “nababo”, que tinha roubado e estava milionário (Rui Barbosa disse isso) e – o que era mais grave – que o teatro tinha sido mal construído e que por isso ia desabar (muita gente não apareceu no dia da inauguração com medo por causa disso).
Consta que o governador Eduardo Ribeiro foi vaiado na noite inaugural.
Ele já tinha passado o governo para Fileto Pires Ferreira (que o inaugurou). Fileto foi vítima de um golpe de estado: viajou para tratar-se na Europa e inventaram uma “carta de renúncia”.
Eduardo Ribeiro sofreu do preconceito de ser negro (como Lula de operário nordestino e como Dilma de mulher guerrilheira).
Para encerrar a trajetória do nosso Teatro, o meu romance TEATRO AMAZONAS, que conta a sua construção, está on-line em:
http://teatroamazonas.blogspot.com.br/
 
 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

LUA - A MORTE DE ELPENOR

 

A MORTE DE ELPENOR
 
LEDO IVO
 
Os bordéis de Maceió iluminam a minha adolescência.
Consiero um dos maiores privilégios de minha vida ter sido admintido neles numa idade juvenil. Era à tarde que eu os freqüentava, e chegava quase sempre no instante em que as putas, recém-saídas do banho, se debruçavam castamente nas varandas diante do mar e contemplavam os navios. Ao cheiro de jasmin evolado de seus corpos morenos se misturava a maresia embriagadora.
Num desses prostíbulos, situados no andar superior de velhos sobrados que também abrigavam armazéns de açúcar e bodegas de fundos escurecidos, ocorreu a morte de um marinheiro, um certo Elpenor.
Ao contrário do que diz Homero, Elpenor não caiu do teto do palácio de Circe. Completamente bêbado, rolou pela escada do bordel de Maceió e quebrou o pescoço. Sua alma baixou ao Hades.
Esse lamentável acidente me privou, naquela tarde, do prazer habitual de respirar, junto às putas da minha cidade, o cheiro de jasmin que se casava, como um doce e longo coito regido pelo mormaço, a todos os perfimes do Oceano. 
Lêdo Ivo
Do livro: "Mar Oceano (1983 - 1987), in Poesia Completa 1940 - 2004, Topbooks, 2004, RJ