quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A fuga no meio da noite




A fuga no meio da noite

Rogel Samuel

No chão cruzavam-se várias faixas coloridas. Luzes. Grossas cortinas de veludo. Um grito muito longe. Bastava um passo e estaria concluída aquela parte. Enlouqueço? Havia um longo caminho estendido, uma larga planície vazia.
- Que ventos são esses, que cortinas?
Assoviavam aterrorizantes tempestades, canções das almas dos infernos. Liberdade? Um súbito estalo o estremeceu, desde o fundo da terra, das plantas dos pés. Passos de veludo. Pelo luzidio dos lustres bailavam ondulosas bailarinas, vozes recitavam, de uma igreja, murmúrios monótonos e flautas. Sensação de quem vê a morte aproximar-se. A todas as tintas. A morte irreconhecível. Semblante de quem procura, mas não vê, reflexos nas paredes. Palpitam risadas. O universo em decantação, o tombamento. Um espetáculo de fundo de mar, vagas. Cantavam? Um monstro untuoso, disforme, que se desfazia em pasta e massa repugnante. Fluía pelos poros da testa. Música estival. Cartazes, gigantescas letras.
(Lembrou-se que continuava no palco, representava, mas não podia conceber o que fazia. Procurou divisar o auditório. Nada. Tudo morto, vazio, surdo).

quinta-feira, 5 de maio de 2016

sábado, 26 de março de 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

ALVARO MAIA



VEIO D'AGUA

ÁLVARO MAIA


Gosto de ouvir-te, veio de agua pura, 
recortando os recantos escondidos 
de soluços, de vozes, de arruidos, 
entre hinos de alegria e de amargura ... 
Choras no coração da selva escura 
a saudade dos trilhos percorridos, 
e ao teu pranto, lembrando os tempos idos, 
a verde alma da terra se mistura ... 
És calmo e frio em fases diferentes, 
ora na rude angustia das vazantes, 
ora no desespero das enchentes ... 
E, corda de harpa rebentando em festas, 
ergues ao ceu, em notas delirantes, 
a epopeia convulsa das florestas ...