terça-feira, 12 de janeiro de 2016

ALVARO MAIA



VEIO D'AGUA

ÁLVARO MAIA


Gosto de ouvir-te, veio de agua pura, 
recortando os recantos escondidos 
de soluços, de vozes, de arruidos, 
entre hinos de alegria e de amargura ... 
Choras no coração da selva escura 
a saudade dos trilhos percorridos, 
e ao teu pranto, lembrando os tempos idos, 
a verde alma da terra se mistura ... 
És calmo e frio em fases diferentes, 
ora na rude angustia das vazantes, 
ora no desespero das enchentes ... 
E, corda de harpa rebentando em festas, 
ergues ao ceu, em notas delirantes, 
a epopeia convulsa das florestas ... 

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