terça-feira, 29 de março de 2011

TEATRO AMAZONAS HISTÓRICO




TEATRO AMAZONAS



Tudo que diz respeito a Amazônia me desperta grande interesse. Então aproveito a ocasião para falar deste belíssimo trabalho do crítico, ensaísta e escritor Rogel Samuel, manauara, professor aposentado da UFRJ, e há muito radicado no Rio. É autor do clássico amazônico "O Amante das Amazonas" (Itatiaia, 2005), que abordarei numa outra ocasião. Pois desejo falar do romance "Teatro Amazonas" (Edua, 2012). "A obra conta a história de uma das mais opulentas casas de espetáculo do País, o Teatro Amazonas, inaugurado em 31 de dezembro de 1896 e, dentre outras características, redimensiona o papel de Fileto e Thaumaturgo na história do Amazonas. O livro ainda permite mergulhar em detalhes na Manaus do final do século XIX e início do século XX". A obra se encontra, creio, boa parte ou inteira disponível na internet, caso não tenha acesso a impressa.(ISAAC MELO) 



"Manaus é famosa pelo enorme Teatro Amazonas, uma casa de ópera construída com mármore italiano e rodeada de ruas revestidas de borracha para que o ruído das carruagens dos retardatários não atrapalhassem as vozes dos melhores tenores e sopranos da Europa. Terminado em 1896, dizem que sua construção custou mais de dois milhões de dólares. O dinheiro fluía livremente durante o boom e as classes mais altas de Manaus importavam de tudo a qualquer preço. Exploradores americanos descobriram que podiam vender suas roupas usadas de brim cáqui por cinco vezes o preço pago nos Estados Unidos depois que se cansavam de passear pela cidade em seus trajes de selva.

(Ao contrário dos brasileiros, que depois e voltar da selva costumavam tomar banho, barbear-se e comprar novas mudas de roupas o mais rápido possível, os americanos, segundo um observador, tinham o “irritante hábito de andar pelas ruas e se dirigir a seus oficiais superiores! Com seus “chapéus altos, botas de campanha e cartucheiras” (Earl Parker Hanson, Journey to Manaos, Nova York: Reynal and Hitchcock, 1938, p. 292).

Com mais cinemas que o Rio e mais salas de espetáculos que Lisboa, Manaus foi a segunda cidade do Brasil a ser iluminada por eletricidade e os visitantes que chegavam a ela pelo rio à noite durante os últimos anos do século XIX se maravilhavam com seu brilho em meio à escuridão, “pulsando no ritmo febril do mundo”. Mas não era apenas a luz que tornava Manaus e Belém, também eletrificada cedo, modernas. Seus muitos espaços escuros ofereciam locais para prazeres essencialmente urbanos. Roger Casement, cônsul da Grã-Bretanha no Rio, que mais tarde se tornaria famoso por suas atividades anti-imperialistas e antiescravagistas, escreveu em seu diário em 1911 a respeito de passar pelas docas de Manaus, escolhendo jovens homens para fazer sexo anônimo".


Cartão Postal do contemporâneo Teatro Amazonas, sem datação
A minha surpresa "caminha" pelas ruas emborrachadas e nos melhores tenores e sopranos europeus. Isso representa dizer que as "lendas urbanas" sobre o Teatro Amazonas ainda prosperam, mais de um século depois de inaugurado.


Fordlândia: ascenção e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva, de Greg Frandin, tradução de Nivaldo Montingelli Jr. Rio: Rocco, 2010 (339 p.)

http://catadordepapeis.blogspot.com/search/label/Teatro%20Amazonas

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